Resenha: Um Menino em um Milhão (★★★★)



Título: Um Menino em um Milhão
Autor: Monica Wood
Editora: Arqueiro
Páginas: 348
Classificação: (★)


Confesso que não comecei a ler “Um Menino em Um Milhão” com grande entusiasmo. A sinopse parecia vender uma espécie de melodrama literário que particularmente não me chama muito a atenção. Mas decidi ler o livro sem grandes expectativas. E sendo bastante honesto, me surpreendi positivamente!

A trama basicamente gira em torno de um garoto de onze anos que morre, inesperadamente, por conta de uma doença extremamente rara. Seu falecimento mexe de forma brusca com a vida dos pais, e também com a vida de uma senhora de cento e quatro anos chamada Ona Vitkus (o rapaz era escoteiro e tinha a missão semanal de visita-la e ajuda-la com tarefas domésticas). Os pais do menino são separados, embora ainda exista uma conexão emocional entre eles, e o pai, que fora relativamente ausente no breve período de vida do filho, acaba assumindo a missão do mesmo e passa a acompanhar a “srta. Vitkus” – como gosta de ser chamada.



O livro aparentemente não conta com nenhum gancho de roteiro exagerado, e sua trama segue simplesmente através do cotidiano dos personagens principais. E, ainda assim, ele é capaz de prender a atenção do leitor, o que é um grande mérito. Monica Wood, autora desse belo livro, sabe trabalhar com habilidade o desenvolvimento dos personagens, assim como a conexão entre eles! Cada um deles é tão real e bem explorado, que o leitor inevitavelmente sente a necessidade de continuar sua leitura apenas para descobrir mais sobre os mesmos, por assim dizer. Também é curioso constatar que, a despeito do título da obra, é difícil encontrar um único protagonista para a mesma.

O menino, que com seu falecimento desencadeia os eventos da narrativa, é dono de uma personalidade curiosa (nos dois sentidos da palavra) e única, e o leitor vai, pouco a pouco, conhecendo mais a seu respeito. Ona Vitkus, por sua vez, é uma anciã de temperamento forte, mas também muito carismática e engraçada, com uma história de vida que eventualmente beira à melancolia e que sempre surpreende o leitor. O menino e a senhora, juntos, formam uma dupla cheia de sintonia, e seus diálogos com certeza são um ponto alto do livro.




Quinn Porter é o terceiro protagonista da trama, digamos assim. Ele é o pai do garoto, e o leitor tem a oportunidade de acompanhar as mudanças em seu caráter e no seu emocional, que ocorrem gradativamente conforme ele se aproxima de Ona, se esforça para ajudar sua ex-mulher (Belle) a superar o trauma da perda do filho e também repensa toda a dinâmica de sua relação com o menino, quando este ainda era vivo. O preciosismo da autora em delinear as mudanças que ocorrem no âmago dos personagens (alguns outros, além de Quinn) é notável, e não à toa carrega consigo uma carga dramática muito forte.

“[Ona] Essas coisas demandam tempo. Desde que a vi pela primeira vez, quis que Louise olhasse pra mim e me enxergasse. Nem que fosse uma única vez. Durante anos cultivei essa esperança como quem guarda uma joia preciosa num estojo de veludo. Isso, sim, é um amor não correspondido.”

A dinâmica que se vê na amizade que surge entre Quinn e Ona também é um fator que prende a atenção do leitor. A anciã exerce grande influência na vida do pai enlutado, e é muito bonito ver as mudanças que ambos vivem conforme a relação cresce. A amizade dos dois também rende diálogos impagáveis:  

“Ela estava com os olhos fechados. Nada se mexia no rosto, mas as faces estavam estranhamente rosadas, mais ou menos como as de certos mortos no caixão.- Desculpe, mas não vou abrir os olhos – disse Ona – vou dormir.-Não, não, não – suplicou Quinn – Você ainda tem de tirar sua carteira e quebrar aquele recorde, esqueceu? Sem falar no outro, o da vida longa. Pensa naquela fulana, Ona. A madame francesa.Ela abriu os olhos, perfeitamente lúcida.- Não falei que vou dormir pra sempre, seu bocó. Preciso de um cochilo.- Ah – disse Quinn, alegre com a resposta. – Então está bem, Ona. Tira aí o seu cochilo.”

A cereja do bolo, pode acreditar, é a temática do Livro dos Recordes. O menino é fanático por eles, e incentiva Ona a quebrar alguns, como o recorde de motorista habilitada mais velha, por exemplo. O livro é banhado por recordes em sua essência, e essa foi uma forma criativa que a autora encontrou de trazer identificação do leitor com o garoto. Monica Wood também traz uma certa dinâmica à leitura ao intercalar as formas de narrativa, mas esse detalhe eu deixo por conta da observação do(a) leitor(a) – pois explicar mais aqui poderia render spoilers desnecessários.

Infelizmente, o livro também tem um ponto baixo, que é o seu ritmo. A passagem de tempo ao longo da história parece um pouco desordenada, e isso ás vezes acaba quebrando o ritmo da narrativa. Ainda assim, não chega a ser um detalhe que tire o valor da obra. A trama conta com humor, drama, um certo nível de romance e, sobretudo, traz uma carga surpreendente de reflexões sobre a brevidade da vida, sobre o amor, sobre a velhice, sobre valorizar mais as pessoas que são importantes para nós, e sobre uma porção de outras coisas que dão ao leitor muito o que pensar. O livro é sem dúvida alguma um prato cheio para qualquer tipo de leitor, com sua proposta pacata e ao mesmo tempo tão passional. Quem quer que for a pessoa que decidir ler, terminará a leitura encarando a vida com mais... sensibilidade. Confie em mim, pois disso eu tenho certeza!

Até mais!

Resenha: A Bela e a Fera (★★★★★)


Olá leitores, tudo bem com vocês??

A resenha de hoje é de um dos livros da coleção de clássicos da Zahar ♥ - quem me acompanha no instagram sabe que eu sou apaixonada por ela! Vamos lá?!

Título: A Bela e a Fera
Autoras: Madame de Beaumont e Madame de Villeneuve / Rodrigo Lacerda (apresentação)
Editora: Zahar
Páginas: 238
Classificação: 
(★★★)

Já de cara percebemos que o livro é dividido de uma forma muito bacana: primeiro encontramos um pouco da história das duas autoras, depois as suas obras - duas obras pois essa versão contém a versão clássica da história contada por Madame de Beaumont e a versão original por Madame de Villeneuve - e, por fim, a cronologia. 


A primeira parte, denominada de “apresentação”, nos mostra algumas versões anteriores e parecidas com o enredo e também uma possível teoria de que a história foi realmente baseada em fatos reais. Além de nos mostrar a trajetória de cada uma das autoras, suas características e todo um contexto histórico envolvido.

Madame Beaumont e a versão Clássica:

A primeira versão que o livro nos apresenta é a versão clássica da Madame de Beaumont: é muito parecida com o filme francês (foi inspirado nessa versão) da Bela e a Fera lançado em 2014.

O pai era rico, acabou perdendo seu dinheiro e virou camponês. Duas das filhas, extremamente mimadas e fúteis, ficam inconformadas com a nova realidade e todas as tarefas de casa se acumularam para Bela - sinto um cheiro de Cinderela. O pai acaba tendo a notícia de um possível lucro e resolve viajar para verificar. As duas irmãs pedem vestidos caros dos quais elas sentem tanta saudade e, Bela, pede apenas uma rosa, sabendo que o valor que o pai gastaria com suas irmãs não daria pra comprar mais nada. O negocio acaba não dando certo e o pai retorna pobre novamente.


 No caminho da volta, atravessando a floresta, ele avista luzes entre as árvores. Já cansado, com fome e com frio, ele resolve ir verificar. Chegando lá, ele encontra um banquete, ceia, e depois vai dormir em um dos aposentos. 

Na manhã seguinte ele encontra roupas novas no lugar das suas rasgadas e mais comida. Já descansado, resolve ir até seu cavalo pra retornar para casa, no caminho ele avista uma roseira e acaba retirando uma das flores pra levar a Bela. É nessa hora que a Fera aparece. Após o velho explicar o porquê da sua viagem e do “furto” da rosa, a Fera propõe um acordo: o camponês pode voltar para sua casa e depois retornar com algum filho(a) que se voluntariará de ficar em seu lugar como refém da Fera, ou ele mesmo terá que voltar e assumir esse posto.

Chegando em casa, Bela se sente culpa e está decidida a ficar no lugar de seu pai. Com muita relutância da parte dele, ela acaba indo.



A parte mais interessante do enredo, foi quando a Bela se deu conta de que os sentimentos que nutria pela Fera eram maiores do que uma simples amizade: na visita à casa de seu pai – que a Fera concedeu após Bela prometer que voltaria e, caso contrário, a Fera morreria -, ela encontra suas irmãs já desposadas e vivendo infelizes com seus maridos - um extremamente bonito e outro muito culto. 
Ela se dá conta de que nem beleza e nem sabedoria faz alguém feliz se não tiver virtudes. 

Então a Bela volta para a Fera e aceita o pedido que a Fera fazia todas as noites: se ela aceitava ser a mulher dele. Nesse momento ele se transforma em um belo príncipe e uma fada aparece dizendo que ela merece ter as três qualidades em um esposo – agora bonito, e já virtuoso e inteligente. Além de transformar as suas duas irmãs em estátuas, forma que elas só conseguirão sair após refletir sobre o que fizeram a vida inteira e se arrepender das suas atitudes.


Nesta versão vemos muito bem o sentimento negativo das irmãs que chegam ao ponto de se aproximar de Bela e fingir falsos sentimentos pela irmã na sua visita de prazo estabelecido, para a protagonista adiar a viagem e, consequentemente, deixar a Fera morrer. Outra coisa que fica muito evidente é a extrema bondade da Fera.

Madame de Villenueve e a versão Original:

A outra história é bem mais densa – enquanto a primeira preenche 25 páginas do livro, esta ocupa outras 174 páginas. O enredo é o mesmo, então irei citar apenas as divergências que percebi.

  • A primeira discrepância é a quantidade de filhos que o comerciante tem: enquanto na outra história eram 6 filhos - três meninas e três rapazes -, nesta são 12 - 6 homens e 6 moças.

  • Quando a Bela resolve sacrificar  sua vida pela vida de seu pai, já no castelo, encontramos uma Fera um pouco diferente da outra: nessa versão o monstro é mais seco e sucinto. Sendo esse o principal argumento que mantém os sentimentos de Bela estáticos. A protagonista afirma que não quer morrer um pouco a cada dia tendo que viver com seis palavras por noite e uma solidão constante.

  • A narração - já aparente pela diferença do número de páginas - é bem mais detalhada, além de apresentar um toque a mais de melancolia e até de poesia.


  • No fim temos uma parte em que a Fera explica tudo o que aconteceu com ela e a parte da fada muda muito: tem toda uma história por trás onde aparecem fadas boas, fadas más, um conselho das fadas, reis não conhecidos, parentescos não esperados e assim por diante. Uma figura inédita que aparece é a mãe da Fera: uma senhora um tanto quanto interesseira que demonstra isso quando descobre a origem de Bela e acaba quebrando a cara depois com algumas das revelações da fada.

 

Basicamente são essas as versões. Achei a leitura muito proveitosa, me rendeu vários conhecimentos que eu nunca nem tinha pensado – principalmente a parte da introdução inicial e a última história no momento da explicação da história das fadas. 


Recomendo a leitura pra todos, afinal, é um clássico, mas principalmente para os/as apaixonados/as por contos de fadas e romances. É um livro leve, fluído e realmente bem interessante, me surpreendeu de uma forma positiva! Além de que essa versão da Zahar é um arraso só, não é mesmo?? E o livro contém ilustrações também.


Espero que tenham gostado ♥
XOXO

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4 anos de Um Novo Roteiro ♥


Simmmm! Ontem o blog completou os seus 4 anos de vida <3 nesses momentos sempre bate uma melancolia. E, para deixar registrada essa data, esses tipos de posts surgem.



O blog surgiu como um refúgio. Um refúgio de uma menina de 14 anos que não sabia muito bem lidar com a voz. Ela queria se expressar, mas preferiu criar um lugar na internet pra isso - como já tinha feito diversas vezes antes. Mas dessa vez ela queria que fosse diferente. O blog não seria criado em um dia e morreria no mês seguinte. Ela queria continuar com ele e perseguir alguns sonhos que nem a menina creditava realmente.



A caminhada foi, e é, cheia de intempéries: um cursinho que aparece no meio do caminho e causa a famosa falta de tempo, sacrificar alguns compromissos pra atualizar o blog, vontade de acabar com tudo em um dia aleatório, um pouco de vergonha vinda do além e sem motivo aparente, saber o potencial de crescimento, mas ter que se dedicar a outras coisas no momento, e receber muitos 'nãos' e continuar na ativa. E esses são só alguns dos muitos.



Mas no meio de tudo isso a gente cresce. E cresce muito! O blog sempre me acompanhou em cada momento, e em cada fase. A gente encontra milhares de outros blogs e observa a diversidade de conteúdo e de perspectivas. A gente mergulha em um mar de sensações, emoções e opiniões. Construímos amizades e relacionamentos. Uma das melhores coisas que o blog me mostrou foi um relacionamento entre editora-blogueiro e autores-blogueiro que eu não sabia existir. Claro, tem diversas faces de ambos, mas uma parceria pode ir muito mais além do que uma resenha postada e essa via de mão dupla é realmente incrível. E, no decorrer, o reconhecimento chega por formas diversas e nos momentos mais inesperados. E é maravilhoso quando isso acontece! É o que te faz continuar batalhando diariamente.



Então, se você tem um sonho/objetivo/desejo, mas ele parece meio distante, não desiste. Usa a distância pra percorrer ainda mais rápido o caminho. Vai ter obstáculo e vai ter dias que dá vontade de desistir/apagar tudo - sentimento bem comum no meio dos blogueiros. Mas se isso está te fazendo/pode te fazer mais bem do que mal, continua. Mesmo que nem você acredite muito em você mesma, saiba que tem potencial, porque a Natasha de quatro anos atrás achava muito legal as blogueiras "maiores" receberem livros do Nicholas Sparks em casa, por exemplo, mas ela não acreditava na própria capacidade pra um dia realmente se imaginar recebendo um. E olha o que já aconteceu ♥



Ei, você é visitante novo por aqui?? Deixa um oi nos comentários :) 
Isso é sempre maravilhoso <3 (para os velhos também)

Espero que tenham gostado e que tenha ajudado de alguma forma!
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XOXO

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Frase "Diária": Vestida para Casar



Kevin:”O amor é gentil, o amor é paciente, o amor nos faz perder a cabeça lentamente”


— Qual sua parte favorita do casamento?— Sabe aquele momento, quando todos estão no casamento e abrem as portas da igreja e aparece a noiva, linda, e todos os olhares se voltam para ela? Pois é, logo em seguida, ao ver a noiva, eu olho para a cara do noivo, e é naquele olhar que vejo o casamento acontecendo.




Um pouquinho iludida e acredita em tudo que os outros lhe dizem…

"Eu estive esperando minha vida toda pelo cara certo chegar e então você apareceu. E você não é nada como o homem que eu imaginava. Você é cínico e rabugento, e impossível. Mas a verdade é que brigar com você é a melhor coisa que já aconteceu comigo. E eu acho que há uma chance muito boa de eu estar apaixonada por você."