Não vou Fazer Parcerias com Editoras em 2018?

Olá, leitores!!

No último vídeo postado no canal eu falei um pouco sobre uma mudança que acontecerá aqui no blog e lá no canal pelo menos na primeira metade de 2018. 

Não deixem de conferir o vídeo pra entender melhor <3 acredito que será uma mudança muito positiva aqui para o blog e para o canal - que pretendo postar mais regularmente agora!!


Não deixem de se inscrever no canal e seguir o blog pra ficar por dentro de todas as novidades :)
Ah, que tipo de vídeo que vocês mais gostam de ver no youtube??

XOXO
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Resenha: Nossas Pequenas Mortes Diárias (★★★★)


Olá leitores, tudo bem com vocês??

Hoje trago a resenha de um livro recebido em parceria com a editora InVerso vamos conhecer um pouquinho mais sobre a obra?!

Título: Nossas Pequenas Mortes Diárias 
Autor: Fábio Gimovski
Editora: InVerso
Páginas: 265
Classificação: (★)


 Comecei a leitura sem muito esperar do livro. Achei a capa intrigante e admito que não procurei saber muito sobre a sinopse para iniciar a leitura.... então devo admitir que foi tudo uma surpresa. Uma surpresa muito positiva!


Existe sempre algo especial em qualquer manifestação da arte.



A história inicial é contada por Jamila, em primeira pessoa. Uma garota de 16 anos que tem sua vida girando em torno da dança. Arte pela qual ela sempre se dedicou. Eis que um dia tudo começa a fazer um pouco menos de sentido e as coisas ficam mais vazias. As incertezas surgem e a vida perde um pouco o seu propósito

Apesar de me esforçar para encontrar na dança a realização de um propósito, o reflexo no espelho não me presenteava com a bailarina desejada. Algo estava fora do lugar... Eu estava fora do lugar.

Com alguma ajuda, a menina acaba se reencontrando na música e, assim, vira uma verdadeira devota á essa arte e mergulha fundo em tudo o que as notas têm para oferecer.

O que seria de mim se não tivesse sido adotada pela música?



Uma característica muito marcante do livro é a sua forte carga emocional, desde as primeiras páginas, através dos relatos dos personagens. Devo admitir que de início eu me incomodei um pouco, mas assim que me acostumei, essa foi a identidade principal do livro e talvez até do próprio autor – ainda não tive outro contato com sua escrita para observar se o padrão permanece.

O livro começa realmente a tomar um rumo quando Beatriz aparece na história - uma colega de Jamila da escola de música. Beatriz a acompanha e a incentiva, Tales, o professor de ambas, sabe o tamanho do potencial que possui em suas mãos. Beatriz está treinando para o esperado concerto, mas um dia ela não aparece no ensaio. E é aí que tudo se transforma.

Parece que a vida nos prepara para sermos o que somos.

Jamila terá que substituir Beatriz no concerto e faz um tremendo sucesso. Depois da sua primeira apresentação, ela conhece uma mulher misteriosa chamada Moriana, mulher que assistiu sua apresentação e que a acompanha para um passeio no dia que se segue. Depois do encontro das duas a vida de Jamila muda. É invadida por ondas de inspiração e compõe diversas canções.


Após dar uma pincelada geral no roteiro, outros personagens começam a aparecer e é sobre cada um deles que irei tratar agora:

Umbertino é quem passa a acompanhar Jamila em suas apresentações e quem começa a desenvolver uma pesquisa sobre fontes de inspirações. Jamila é uma das suas principais entrevistadas e, consequentemente, Umbertino também desenvolve a pesquisa em cima de Moriana – nome mencionado em quase todas as entrevistas pela musicista.
Umbertino acredita um pouco no misticismo das musas da antiguidade - mulheres que viviam pra proporcionar inspirações. Outro importante item da história é um famoso quadro das musas que dançam para completar um ritual, quadro que permeia toda a pesquisa de sua tese.

Moriana é o tipo de mulher misteriosa que carrega toda uma aura de inspiração consigo. Apaixonada pelas artes em geral e sempre está envolvida ou com uma pintura, m’música e até com a escrita.

Outro personagem que aparece no decorrer é Jonas, ajudante da pesquisa que Umbertino está fazendo sobre a fonte das inspirações. O garoto é responsável por transcrever diversas entrevistas com Jamila e organiza-las. Além de carregar um passado conturbado que envolve Beatriz, a sua motivação original por ter caído onde caiu.

Jamila me força para o passado e Umbertino me pressiona para o presente. Não sei dizer até que ponto essa combinação me faz bem. Não tem forças para mudar.

Bartolomeu é um escritor que já anda há 9 meses sem fonte de inspiração para os seus livros. Isso muda quando conhece Moriana após um concerto que foi obrigado a assistir por Amanda, sua companheira de algumas aventuras e a oficial primeira leitora de todos os seus escritos. Amanda já sabia da falta de inspiração de Bartolomeu e dos efeitos que Moriana poderia causar nele.

Por alguma razão a vontade de escrever retorna, sem avisos, sem premeditações, simplesmente retorna.



Apesar da resenha já ter ficado um pouco grande e da quantidade de informação sobre o enredo parecer enorme, devo afirmar que toda a linha condutora foi composta com maestria pelo autor. A quantidade de informação que essas 264 páginas carregam é exorbitante! E em nenhum momento o livro pareceu rápido demais, ou superficial demais. (me conta o segredo de tanto enredo em tão poucas páginas).

Como falei no início, o livro foi uma tremenda surpresa positiva! As histórias se amarram e finalizam de uma forma espetacular. Infelizmente não tenho margem para falar mais do que isso sem acabar com uma futura surpresa para quem for ler o livro.

A arte está incrível! Cada um dos personagens mencionados na resenha narra ao menos um trecho do livro e em cada mudança de narrador, encontramos uma ilustração como essa da foto!


Senti que esse livro é sobretudo sobre inspiração. Eu sempre me questionei muito sobre esses momentos de picos de produção e de bloqueios criativos, então sou até um pouco suspeita pra falar que eu amei e que recomendo para qualquer um que tenha um pouquinho de paixão por algum tipo de arte! Além da experiencia que essa escrita mais carregada de emoções proporciona. Todos os personagens foram muito bem construídos e ganharam o seu devido destaque no enredo.

Todos precisamos encontrar a inspiração em alguma coisa, lugar ou pessoa, algo que nos conecte a essa energia criativa.

Bom, já me alonguei mais do que pretendia, mas deixo aqui as minhas sinceras recomendações dessa leitura! Outro ponto que me conquistou foi a quantidade de frases anotadas do livro - a resenha já está super recheada com elas, mas também preparei outro post só com frases desse livro aguardem hehe




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Resenha: Bem-Casados (★★★★)


Olá leitores! A resenha de hoje é do terceiro livro da série o Quarteto de Noivas da Nora Roberts, vamos lá?!


Título: Bem-Casados
Autor: Nora Roberts
Editora: Arqueiro
Páginas: 280
Classificação: (★)


Quarteto de Noivas é uma saga da Nora Roberts em que em cada um dos quatro livros acompanhamos a história de uma das meninas da Votos - um quarteto de amigas que brincavam de casamento quando criança, cresceram e criaram a Votos, uma empresa bem sucedida de casamentos. Cada uma das meninas realiza uma função:


Após essa breve introdução para um melhor entendimento da história, o terceiro livro traz a história de Laurel. Uma mulher com garra que luta por aquilo que quer e com uma história familiar um pouco desestabilizada com traições e fofocas.

O mundo precisa de pessoas mais decididas. Pessoas que saibam deixar umas às outras e ainda ter muito de si para oferecer.

Del sempre foi sua paixão, desde quando as quatro amigas eram crianças e ficavam espiando-o pela janela, afinal, ele é o irmão mais velho de Parker e as vê com um sentimento paternal - o que é um obstáculo para a protagonista.


A gente se engana, acha que esqueceu, mas nunca deixa de lembrar que já esqueceu.

Além de todas as qualidades já mencionadas, Laurel também tem uma boca afiada e, no meio de uma discussão do tipo gato e rato com Del, ela lhe dá um beijo, apenas para colocar um ponto final no bate boca. Esse beijo faz despertar sentimentos que Del nunca havia nutrido por ela.

Como era possível poder conhecer alguém uma vida inteira e ainda descobrir algo novo?


Esse é o pano de fundo que permeia todo o romance. Algumas das dificuldades enfrentadas pelo casal será essa diferença de sentimentos - enquanto Laurel já o amava, Del está mudando a sua visão paternal aos poucos - o que também implica em uma diferença de passos no relacionamento e a disparidade social - Laurel é acusada por estar com Del apenas pelo status de seu sobrenome e que Del só estaria com ela porque ela estava disponível.


Um Brown não vai se casar com alguém que não seja da classe dele, querida. E você não tem nenhuma classe.

Um período de férias com todos os amigos na casa de praia dos Brows promete uma nova fase no relacionamento com um pouco de lavagem de roupa suja e busca por novos momentos. 


O mais legal nessa série é que em cada um dos livros nós acompanhamos uma das garotas do quarteto mais de perto, conhecemos seu passado e suas características, além de acompanhar o desenrolar da história das outras e também de algumas das noivas que as contatam para realizar seus respectivos casamentos. 

Todos os personagens são muito bem construídos e parecem reais! Os sentimentos que surgem são verdadeiros e o enredo é cativante. É o tipo de livro que você quer ler "só mais um capítulo"pra ver o que acontece depois. A história é narrada em terceira pessoa.



O amor (...) é como uma questão matemática: a maioria das pessoas está interessada em resolver em vez de compreender

O amor é uma palavra que, para cada um, tem um significado e, principalmente, uma intensidade.



Quem aí já leu algum dessa série? Gostaram?!
XOXO

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Resenha: Amor à moda Antiga (★★★★)

Boa tarde, pessoal!!

Hoje é dia de resenha de um livro super amorzinho recebido em parceria com a editora Belas-Letras <3


Título: Amor à moda Antiga
Autor: Carpinejar
Editora: Belas-Letras
Páginas: 105
Classificação: (★)


Eles têm um carinho enorme com toda a arte, então não preciso nem dizer que o post está cheio de fotos lindas e cheio de elogios pra essa parte haha (olha a cor dessa capa)

Como vocês podem ver, o livro é constituído de poemas, e o mais legal de tudo é a própria história de como eles surgiram: as poesias contidas no livro, estão exatamente iguais aos originais recebidos na editora, com alguns dos erros, borrões e até anotações do próprio autor que entregou três envelopes com maços de folhas dentro - e foram publicadas na ordem em que estavam.


Os poemas foram escritos entre a primavera de 2015 e o verão de 2016 em uma Olivetti Lettera.

Como o próprio nome já entrega, o tema principal é o amor - o antigo é pela forma como eles foram escritos: em uma máquina de escrever. O livro é bem leve! Dá pra ter uma ideia nos poemas conditos nessas fotos ilustrativas e também deixarei dois dos meus preferidos na íntegra no final.


Devo confessar que é aquele livro que você devora em uma sentada. Por ter um número pequeno de páginas e serem poemas bem curtos, vai tudo em torno de uma hora. Mas, é claro, também pode ser um livro de cabeceira pra degustar de uma página por dia.

A edição, como vocês podem perceber, está maravilhosa! Achei lindo principalmente eles reproduzirem os originais. O livro tem jacket e embaixo está como ele é sem a capa na capa haha - e mais alguns detalhes que ficam escondidinhos.


 A única coisa ruim de toda essa arte, é que a capa verde, conforme vai atritando com as superfícies, parece que o papel vai "abrindo" e vai ficando branquinho nas bordas... Mas eu acabei nem achando ruim, porque reforça o ar de 'antigo' - e vai que isso também tenha sido pensado(?)


Nossa, Natasha, e por que então que o livro não tem as 5 estrelas se eu só li coisas positivas? 
Então, é que é um livro bom, sim, mas pra mim ele ficou no bom. As poesias são ótimas de ler, mas não têm nada muito marcante ou impactante. É um excelente livro pra te desestressar no dia-a-dia e deixar a vida mais leve. Recomendo pra todos!


quando me calo
e finjo ausência,
você me pergunta
o que estou pensando.
é certo que mentirei
deveria me perguntar
o que estou sentindo.

você foi teimosa ao ficar comigo.
você foi teimosa ao decidir não me ver
nunca mais.
Teimosia junto, teimosia longe.
talvez tenhamos vivido somente
a prepotência da paixão.
o amor só vem
depois do orgulho,
bem depois,
entre o perdão e a paz.



Espero que tenham gostado

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Resenha: A Arquitetura da Felicidade (★★★★★)

Boa tarde, leitores!! Faz um tempinho que não apareço por aqui e isso acarretou em diversas resenhas acumuladas... Por isso, fiz uma enquete no Instagram, pelo meu perfil pessoal e pelo do blog, (me senti bem tecnológica utilizando novos recursos) perguntando qual livro vocês gostariam de ler a resenha antes! Somando os votos, a resenha de hoje ganhou (mas a outra resenha já sai semana que vem, calma!!). Não deixe de acompanhar os ig's pra ficar por dentro das novidades <3

A arquitetura, mesmo na sua forma mais consumada, será sempre um pequeno e imperfeito protesto contra o estado de coisas.


Título:  A Arquitetura da Felicidade
Autor: Alain de Botton
Editora: Rocco
Páginas: 267
Classificação: (★★★)


Como vocês já sabem, esse ano eu entrei na faculdade de arquitetura e urbanismo e acho que quase todo mundo que entra nesse curso passa por isso: ele remodela por completo os seus gostos/ideias, principalmente sobre o que é bom, arquitetonicamente falando. E, no meio desse processo, uma crise bateu - justamente sobre essa questão de boa ou má arquitetura, junto com outros pontos que acabam se envolvendo.
Não dá pra entrar nesse mérito tão à fundo, o que dificulta um pouco o desenvolvimento da resenha, mas a ideia de que eu comecei a ler esse livro no meio de uma "crise", era o que eu precisava aqui.

A premissa para se acreditar na importância da arquitetura é a noção de que somos, queiramos ou não, pessoas diferentes em lugares diferentes - e a convicção de que cabe à arquitetura deixar bem claro para nós quem poderíamos idealmente ser.

Comecei a leitura sem saber do que se tratava e devo admitir que foi uma surpresa super positiva! O livro é dividido em 6 capítulos: A importância da arquitetura, Em que estilo se deve construir?, construções que falam, lares ideais, as virtudes das construções e a promessa do campo. Assim dá pra ter uma ideia mais geral do conteúdo e, pra facilitar a desenvoltura, estabeleci o roteiro da resenha seguindo as frases que anotei durante a leitura. Vamos lá?!

PS: a resenha será desenvolvida sem nenhum termo técnico ou um viés mais formal. Seguirá no mesmo estilo das outras já postadas aqui no blog :)



O livro frisa muito bem que nós mudamos de gosto diversas vezes ao longo da vida (né non?) e que a casa que achamos bonita hoje, amanhã pode não ser mais tão bela assim. Uma coisa até pior: ela pode deixar de nos fazer bem! Essa é outra questão abordada: o quanto a nossa moradia pode influenciar o nosso humor, nossas atitudes e até a nossa própria personalidade. Ou como ela pode nos acalmar ou nos estressar durante o dia-a-dia.

Sensibilidade à arquitetura tem também seus aspectos mais problemáticos. Se um único aposento é capaz de alterar o que sentimos, se a nossa felicidade pode depender da cor das paredes ou do formato de uma porta, o que acontecerá conosco na maioria dos lugares que somos forcados a olhar e habitar?



Embora esta casa não tenha soluções para uma grande parte dos males que afligem deus ocupantes, seus aposentos são evidência de uma felicidade à qual a Arquitetura deu a sua característica contribuição



Um dos motivos da minha crise, engloba um pouco dessa parte de "estilos de construção" e qualidade arquitetônica. Devo admitir que já comecei a leitura desse capítulo com um pé atrás, mas o que o autor mostrou vai muito além da teoria... querendo ou não, arquitetura lida com pessoas, com a saúde e com o emocional. É algo extremamente delicado e foi esse viés mais 'sensitivo' que mais me conquistou durante a leitura.

A arquitetura mais nobre pode às vezes fazer menos por nós do que um cochilo à tarde ou uma aspirina

Já que uma obra arquitetônica tem tanto poder sobre nós, o que nós procuramos nelas?
Esse foi outro ponto desenvolvido com maestria e que mudou a minha forma de pensar sobre o que é belo para mim. O autor aponta que uma das coisas que nós procuramos numa construção é as mesmas características que procuramos em um amigo.

O que buscamos numa obra de Arquitetura não está, afinal, tão longe do que procuramos num amigo. Os objetos que descrevemos como belos são versões das pessoas que amamos.

Parece meio estranho, eu sei. Mas se pararmos pra pensar, sutileza, algo convidativo, calmaria ou extroversão são, sim, características que podem estar presentes tanto em uma casa, quanto em um amigo.
Quem é muito agitado pode procurar equilibro. Pessoas desorganizadas podem se sentir mais atraías por ambientem mais limpos, que remetem uma organização a ser alcançada. Alguém mais sistemático e que sofre com isso, pode se interessar por um ambiente mais despojado. E assim vai... procuramos aquilo que nós gostaríamos de ser/ter.

(...) os ambientes refinados podiam nos fazer avançar em direção à perfeição. Um prédio belo poderia reforçar a nossa decisão de sermos bons.

Sentimos prazer diante de uma aparência de leveza ou delicadeza frente à pressão - colunas assim parecem nos perecer uma metáfora de como nós gostaríamos de nos comportar com relação ao peso que somos obrigados a carregar.





O que buscamos, no nível mais profundo, é parecer com os objetos e lugares que nos tocam pela sua beleza, mais do que possuí-lis fisicamente.

(...) nos alerta para mais uma coisa que temos que exigir dos prédios: além de suas partes estarem em harmonia entre si, a construção como um todo deve harmonizar-se com o ambiente onde está; deve nos falar dos valores significativos e das características de suas próprias localidades e eras.

Isso sintetiza muito bem uma outra grande parte do livro. Nem sempre dá para cada pessoa fazer o que ela própria acha bonito em sua residência. Mais cedo ou mais tarde, tudo se transformará em poluição e desgosto visual. Podemos relacionar isso até com cidadania - abdicar, só um pouquinho, do seu gosto, para um todo social melhor e mais agradável. Além dos outros dois pontos contidos na frase: a harmônia entre si mesmo e mostrar um pouco do local onde se encontra e de sua época.

Um prédio adequadamente contextualizado pode ser definido como aquele que incorpora alguns dos valores mais desejáveis e as mais altas ambições da sua era e lugar - um prédio que sirva como receptáculo de um ideal viável.



É mais ou menos isso que o livro aborda. Espero ter conseguido transmitir um pouco da sua essência. Recomendo para todos que tenham pelo menos algum interesse na área... ele te faz enxergar as coisas que você acha bonitas de outra maneira. Caso eu precisasse renomear o livro, o titularia de A Psicologia da Arquitetura, porque foi mais ou menos isso que eu senti durante a leitura. O livro traz, sim, alguns nomes mais técnicos e específicos da área, mas nada que interfira no desenvolvimento da leitura.


O fracasso dos arquitetos em criar ambientes agradáveis espelha a nossa incapacidade de encontrar Felicidade em outras áreas da vida. A má arquitetura é, no final, um fracasso tanto de psicologia quanto de projeto. (...) a tendência a não compreender quem nós somos e o que nos deixará satisfeitos.


Os lugares que chamamos de belos são, ao contrário, obra daqueles raros arquitetos com q humildade para se indagar corretamente sobre os seus desejos e com a tenacidade para traduzir duas fugazes percepções do que é Felicidade em projetos lógicos - uma combinação que lhes permite criar ambientes que satisfaçam as necessidades que temos, mas nunca conhecemos conscientemente.



É no diálogo com a dor que muitas coisas belas adquirem o seu valor (...) Talvez, muito além de todas as outras exigências, tenhamos de estar um pouco tristes para que os prédios possam nos emocionar de verdade.


Essa frase aborda as artes em geral e foi um ponto que me causou muita reflexão... Sempre que estamos mais "tristes" ou com o emocional mais aguçado, parece que reparamos mais e que temos um feeling diferente para arte, coisas que não sentiríamos em um dia dito por 'normal' simplesmente aparecem.

Nossos momentos de depressão proporcionam à arquitetura e à arte as suas melhores oportunidades, pois nesses momentos o nosso anseio por qualidades ideias está no auge.

A tensão entre curvas e linhas retas numa palhadas ecoa a tensão entre razão e emoção em nós mesmos.



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Resenha: As Mulheres de Van Gogh - seus amores e sua loucura (★★★★★)


Boa tarde, pessoal! Dei uma sumida por aqui - por motivos de falta de tempo e dúvidas sobre tudo, mas voltei com algumas resenhas de livros finalizados nesse período de abstinência hehe 


Título:  As Mulheres de Van Gogh - seus amores e sua loucura
Autor: Derek Fell
Editora: Verus
Páginas: 250
Classificação: (★★★)




PS: Resenha elaborada sem intenções acadêmicas, apenas relatando a minha experiência com o livro

O livro possui uma abordagem muito peculiar. Conta toda a história de Vincent - como prefere ser chamado -, tendo como pretexto principal os seus relacionamentos. Conhecemos todo o seu lado humano - acredite, ele era um homem super humilde. Suas incertezas, dúvidas, inseguranças e, aos poucos, vamos entendendo como a crise, a miséria e o lado emocional tão forte foi chegando e tomando conta dele. Uma onda de decepções constantes e desesperanças amorosas se acumulam.

Bem, arrisquei minha vida por meu trabalho, e isso me custou metade da minha razão.


Conseguimos entender o inicio da sua "loucura" na própria relação familiar: Vincent recebeu o mesmo nome do irmão morto. Era uma projeção daquilo que o outro poderia ter sido, carregando todo um peso e rejeição.

Vincent ansiava por ser amado por si mesmo, e no entanto tinha o mesmo nome do irmão morto.

Sua mãe fora frustrada em alguns sentidos - principalmente por ter perdido um filho. E um ponto comum em todas as mulheres que despertavam Vincent era a incapacidade de algo, uma frustração. Ele sentia essa necessidade de cuidar e de fazer o possível pra diminuir o fardo que elas carregavam

Vincent explicou que não queria pintar figuras academicamente corretas nem as coisas como elas eram, e sim como as sentia


Todos os personagens foram muito bem apresentados. Temos um contato bem próximo principalmente com o seu irmão, Theo, justamente por ser ele quem o sustentava, mesmo que distante. 

O livro possui algumas das cartas que Vincent mandava frequentemente para o irmão, algumas para a irmã, Wil, para a cunhada, Johanna e, muito raramente, para a sua mãe.

Acompanhamos as suas mudanças de cidade, de perspectiva, amigos, emoções e estilos de pintura.


O livro é pequeno, porém traz uma enorme carga de informações. A forma como o autor narrou tudo e conduziu o enredo, nos prendeu e desperta um sentimento de carinho, pena e amor pelo personagem. Sofremos com ele e procuramos entender o que passa pela sua cabeça e o que o leva a tomar algumas atitudes.

Em sua angústia frustração, ele tinha esperança de que Theo também estivesse apaixonado: " espero que esteja ", declarou, " pois, acredite-me, mesmo as pequenas misérias do amor tem lá o seu valor. Às vezes a gente cai em desespero, a momentos em que parecemos estar no inferno".

Outro ponto positivo é que, obviamente, em alguns momentos de sua vida, existe mais de uma interpretação ou suposição de um fato ocorrido e o livro, na maioria das vezes, nos traz esses diferentes pontos de vista do fato mencionado.



Eu gostei TANTO desse livro que acabei ficando em uma ressaca quando terminei e, justamente por isso, demorei um pouco pra elaborar a resenha - o que prejudicou os detalhes da resenha, de certe forma. Fica até difícil expressar o quão envolvente ele é. Conhecia pouco sobre Vincent - apenas algumas breves mencionadas em aulas de História da Arte -, e esse livro me conquistou completamente!

Enfim, recomendo para todos os interessados em conhecer um pouco mais sobre a história do autor, à pessoas que gostam de romances e de histórias envolventes e cativantes.




É assim que as coisas quase sempre acontecem na vida de um pintor; o sucesso é talvez a pior coisa que pode acontecer

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A Nossa Data de Validade

Acabou! Agora eu consigo dizer que acabou. E não é mais um simples texto que começa falando que tudo vai terminar, e termina comigo desistindo de terminar. Dessa vez vai acabar como começou: acabando!

Eu sei que acabou pois desde ontem não me vejo mais com você. Não nos vejo viajando juntos e nem discutindo sobre qual escola matricular os nossos filhos. Demorei pra aceitar isso, mas acho que a gente começou com uma data de validade já predeterminada. Uma vez me falaram que tudo na vida tem data de validade, e eu insisti em acreditar que o nosso amor não teria. Eu poderia, sim, ter a minha e você a sua, mas a da nossa relação, não! Tenho que admitir que fui teimosa o suficiente pra acreditar por tanto tempo nessa ilusão. Ainda dói. 




Sabe, eu ainda tenho vontade de criar uma fantasia e falar que tudo vai durar pra sempre, dizer que foi só um mal entendido e que eu não quis dizer o que eu disse. Ir correndo para o seu abraço e fingir que tudo vai ficar bem. Mas eu sei que não vai mais! 

As nossas peças deixaram de se encaixar. Se é que algum dia chegaram ao encaixe perfeito... Será que não foi só teimosia nossa tentando fazer algo incompatível dar certo?! Bom, isso eu já não sei. Mas não me arrependo. Eu te amei verdadeiramente e criei um futuro perfeito pra gente. Falando em futuro, preciso adicionar à lista de coisas pra fazer: "criar um novo futuro", e dessa vez sem você! De preferência sem homem nenhum... Se vier é bônus, mas cansei de ter que construir e desconstruir todas as vezes que algum relacionamento acaba. Bom, enfatizei já lá no inicio desse texto qual seria a conclusão e é isso que eu tenho pra te dizer: acabou - depois de muito tempo!

Resenha: Quando tinha cinco anos eu me matei (★★★★★)


Autor: Howard Buten
Editora: Rádio Londres
Nº de páginas: 185
Gênero: Drama



Por Isaac Duarte



Quando tinha cinco anos eu me matei é um livro de título bastante forte e talvez até intimidador, há de se reconhecer. Contudo, sua proposta é muito mais terna do que dá a entender quando apenas olhamos para sua capa. 

"E a Jessica começou a chorar. Ela chorou e chorou muito dentro do carro, toda encurvada para frente, e eu não sabia o que fazer. Então eu abri os braços, como o papai faz quando eu tenho pesadelo, e abracei a Jessica. Abri os braços, e ela veio se encostar em mim, na minha frente. Abracei a Jessica dentro do carro. Abracei bem apertado, enquanto os adultos olhavam pelas janelas em volta da gente."

Em primeiro lugar, é interessante nos atermos a alguns fatos: o livro foi escrito em 1980 e seu autor, Howard Buten, exercia as profissões de psicólogo, escritor e clown (palhaço, em inglês), sendo que de alguma forma, essas linhas profissionais o ajudaram a compreender muito bem o universo infantil, como também seus dramas e complicações. Dessa forma, Buten optou por utilizar o drama e escrever esse romance em primeira pessoa, da perspectiva da personagem principal: Burt Rembrandt, um menino de apenas 8 anos que apresenta traços de autismo (embora não vejamos no livro alguma citação direta à sua condição de autista, mas os sintomas falam por si). Vale citar o fato de que Buten conheceu um garoto autista quando ainda era jovem, o que o levou a seguir carreira como psicólogo e até a criar uma clínica de apoio a jovens autistas. Logo, com tudo isso, temos o palco montado para uma forte e efêmera narrativa que descreve com maestria a ótica de mundo de uma criança e sua perspectiva diferenciada. E o resultado disso é simplesmente fascinante!


Burt é um rapaz que descreve precisamente sua visão das coisas. Ele possui uma imaginação muito fértil e um senso de humor sarcástico mas também inocente ao mesmo tempo. As constantes observações infantis do garoto sobre coisas que as pessoas mais velhas já estão acostumadas geralmente rendem boas risadas, também:

"Tinha uma foto na mesa do doutor Nevele, de crianças, e tinha uma foto de Jesus Cristo que eu acho que é falsa, porque eles não tinham, câmera na época. Ele estava na cruz, e alguém havia pendurado uma placa em cima dele escrito INFO. Isso quer dizer que você pode pedir informações para ele."

O menino também é bastante inteligente, sendo campeão de disputas de soletração, por exemplo. Ele também devaneia com frequência, e quando o leitor menos espera, a imaginação do rapaz já tomou conta de uma cena que a princípio parecia muito realista:

"Tinha cortina nas janelas da Jessica. Eu fiquei meia hora olhando para as janelas. Eu sabia as horas porque estava com o meu relógio que ganhei de Hanucá e depois perdi. Enquanto eu estava olhando para a cortina da Jessica, abriu um buraco na calçada embaixo dos meus pés [...]. Era um buraco de trinta metros e tinha dinossauros e fogo lá embaixo. Eu pulei por cima e caí na grama do outro lado. Então olhei para o outro lado da rua e vi que a Jessica tinha me visto e falou: 'Puxa, que rapaz corajoso!'"

O sentimento que Burt nutre por Jessica é, de certa forma, o fio condutor da história. O garoto fez algo ruim e traumático para a menina (fato esse que é citado de maneira vaga até o fim do livro, para prender a atenção do leitor) e por isso foi mandado para um Centro de Internamento Infantil. A narrativa, portanto, acaba se dando de maneira não linear, sendo que Burt ora narra os eventos anteriores ao seu internamento (mais precisamente pouco antes de conhecer Jessica), ora narra os eventos posteriores a este incidente, intercalando os dois diferentes momentos. Vemos como era sua vida e sua paixão pela menina antes de cometer seu "crime", e também vemos seus sentimentos de solidão e revolta muito mais potentes uma vez que ele está internado.


O livro tange as emoções infantis de um garoto que caminha às portas da puberdade, não sabe expressar com destreza seus sentimentos e é, de fato, um pouco mimado e irritadiço. Há momentos em que o leitor fica indignado com suas birras e chiliques, e outros em que a ingenuidade e ternura do menino nos fazem lembrar que apesar de tudo, ele é apenas uma criança com dificuldades de se relacionar com os outros. É impossível ler o livro e não criar uma forte relação de empatia com Burt, enquanto ele narra seus dias e nos traz de volta às lembranças de quando nós mesmos éramos apenas crianças. 



Essa obra-prima de Howard Buten consegue ser emocionalmente intensa sem beirar o melodrama, e desperta dentro de cada leitor um sentimentalismo voraz, mas saudável. Os conflitos que surgem entre a visão infantil e a visão adulta de mundo acabam nos trazendo uma ótica nova das coisas, e com sorte, cada leitor que fizer essa leitura de coração aberto encontrará um pouco mais de entendimento e amor pelo próximo. Burt representa nossos medos e aspirações. Os vícios e as virtudes humanas foram muito bem representados na forma deste pequeno rapaz de oito anos, e eu convido você, que lê essa resenha, a dar uma chance à história dele e voltar um pouco à mais profunda pureza e intensidade que as crianças têm!



Resenha: Panelaterapia - receitas para fazer da cozinha o seu divã (★★★★★)


Bom dia, pessoal!

Nesse dia de feriado nacional, preparei uma resenha que é diferente de tudo o que vocês já viram por aqui... É a primeira resenha de livro de receita aqui do blog!

Título:  Panelaterapia - receitas para fazer da cozinha o seu divã
Autor: Tatiana Romano
Editora: Belas Letras
Páginas: 133
Classificação: (★★★)


O  livro foi recebido em parceria com a editora Belas-Letras e logo de cara me chamou atenção por causa da sua proposta diferenciada: a cozinha vira uma espécie de divã de psicólogo. Como assim, Natasha? Sim, isso mesmo! As receitas são divididas em 4 categorias: raiva, tristeza, medo e alegria. São receitas pra você fazer quando estiver com um desses sentimentos mais aflorados.



Já no início do livro a autora nos conta um pouco melhor da sua trajetória e de como esse livro surgiu. A Tatiana é forma em psicologia e sempre teve uma vida SUPER corrida. Quando conseguiu ter um dia livre, o domingo, ela aproveitava pra fazer algumas tarefas de casa pela manhã e, durante à tarde, se dedicava à culinária.

Conforme a vida foi seguindo e tomando o seu rumo, o blog surgiu e começou a tomar cada vez um espaço maior na vida dela. Foi no meio de tudo isso, refletindo sobre as emoções que a cozinha consegue lhe causar, que surgiu a proposta desse livro. A autora também deixa claro que a classificação escolhida foi feita muito mais pelo feeling de cozinheira do que por técnicas e conceitos colunários.

Agora que já está tudo devidamente explicado, vamos conhecer um pouco mais sobre as receitas que o livro nos apresenta!



Como eu não sou a maior expert na culinária - muito menos com técnicas e coisas clássicas -, vou comentar de forma bem direta sobre cada parte.

No inicio de cada parte do livro, encontramos um texto sobre aquele determinado sentimento, explicando melhor cada um deles, dando exemplos e explicando melhor qual é a proposta com aquelas receitas.

Raiva:

o objetivo nessa parte foi juntar algumas receitas que possuem um movimento repetitivo que, de acordo com a autora, é perfeito para proporcionar momentos de reflexão quando se está com essa emoção. Achei que tudo casou muito bem, principalmente porque sovar um pão ou mexer loucamente uma polenta também da uma aliviada na alma hehe

A maioria das receitas dessa parte são salgados, como por exemplo diversos tipos de risoto, pão de calabresa, polenta cremosa com molho de frango, entre outros.



Tristeza:

Um dos critérios utilizados nessa seleção é levantar o astral. Na maioria das vezes, quando esse sentimento bate, perdemos até a vontade de comer e de principalmente preparar algo. Então são receitas que também possuem uma preparação divertida e contém ingredientes que melhoram a instabilidade emocional.

Como já deveríamos prever, a maior parte dessa seleção é doce. Encontramos mousse, bolo, tortas, cookies e até algumas bebidas (refrigerante caseiro de gengibre e dois sucos), entre outros.

Medo:

Esse capítulo nasce mais como um desafio. Na introdução a autora nos fala um pouco sobre alguns medos até na culinária, como por exemplo o medo de que uma panela de pressão exploda ou de um pudim desmoronar quando for desformado - e ela acertou em cheio, medos bem comuns, não é mesmo?! Então encontramos receitas mais desafiadoras que estão aí para que nós nos superemos.

As receitas apresentadas são mais diferenciadas, como por exemplo um pudim de milho verde, costelinha de porco com laranja e mel, pudim light de laranjo e até um ovo "frito"sem óleo.

Alegria:

Essa seleção nos trazem receitas separadas para os pequenos momentos, como a autora dá de exemplo, um almoço de domingo, um drink no fim do dia ou um jantar romântico. Pequenas coisas que fazem a vida valer à pena!

Algumas receitas apresentadas: massa de pizza fácil, batatas picantes, bolinho de canela e pudim de leite condensado.


Todas as receitas foram ilustradas com foto. Recomendo esse livro pra quem tem interesse em culinária, ele traz uma proposta bem diferente e com receitas ótimas e gostosas. Além de ter algumas super fáceis e outras mais complexas. Acredito que ele abrange um grande número de cozinheiras, desde as mais iniciantes até as que já estão há algum tempo no ramo! 



A edição está super maravilhosa, como sempre, a editora caprichou muito no resultado final. É capa dura e no final temos um espaço de anotação para cada uma das 4 partes do livro :)


Quem aí já conhecia o blog panelaterapia ou já ouviu falar do livro? Vocês costumam cozinhar??

Espero que tenham gostado
XOXO


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