A Nossa Data de Validade

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Acabou! Agora eu consigo dizer que acabou. E não é mais um simples texto que começa falando que tudo vai terminar, e termina comigo desistindo de terminar. Dessa vez vai acabar como começou: acabando!

Eu sei que acabou pois desde ontem não me vejo mais com você. Não nos vejo viajando juntos e nem discutindo sobre qual escola matricular os nossos filhos. Demorei pra aceitar isso, mas acho que a gente começou com uma data de validade já predeterminada. Uma vez me falaram que tudo na vida tem data de validade, e eu insisti em acreditar que o nosso amor não teria. Eu poderia, sim, ter a minha e você a sua, mas a da nossa relação, não! Tenho que admitir que fui teimosa o suficiente pra acreditar por tanto tempo nessa ilusão. Ainda dói. 




Sabe, eu ainda tenho vontade de criar uma fantasia e falar que tudo vai durar pra sempre, dizer que foi só um mal entendido e que eu não quis dizer o que eu disse. Ir correndo para o seu abraço e fingir que tudo vai ficar bem. Mas eu sei que não vai mais! 

As nossas peças deixaram de se encaixar. Se é que algum dia chegaram ao encaixe perfeito... Será que não foi só teimosia nossa tentando fazer algo incompatível dar certo?! Bom, isso eu já não sei. Mas não me arrependo. Eu te amei verdadeiramente e criei um futuro perfeito pra gente. Falando em futuro, preciso adicionar à lista de coisas pra fazer: "criar um novo futuro", e dessa vez sem você! De preferência sem homem nenhum... Se vier é bônus, mas cansei de ter que construir e desconstruir todas as vezes que algum relacionamento acaba. Bom, enfatizei já lá no inicio desse texto qual seria a conclusão e é isso que eu tenho pra te dizer: acabou - depois de muito tempo!

Resenha: Quando tinha cinco anos eu me matei (★★★★★)

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Autor: Howard Buten
Editora: Rádio Londres
Nº de páginas: 185
Gênero: Drama



Por Isaac Duarte



Quando tinha cinco anos eu me matei é um livro de título bastante forte e talvez até intimidador, há de se reconhecer. Contudo, sua proposta é muito mais terna do que dá a entender quando apenas olhamos para sua capa. 

"E a Jessica começou a chorar. Ela chorou e chorou muito dentro do carro, toda encurvada para frente, e eu não sabia o que fazer. Então eu abri os braços, como o papai faz quando eu tenho pesadelo, e abracei a Jessica. Abri os braços, e ela veio se encostar em mim, na minha frente. Abracei a Jessica dentro do carro. Abracei bem apertado, enquanto os adultos olhavam pelas janelas em volta da gente."

Em primeiro lugar, é interessante nos atermos a alguns fatos: o livro foi escrito em 1980 e seu autor, Howard Buten, exercia as profissões de psicólogo, escritor e clown (palhaço, em inglês), sendo que de alguma forma, essas linhas profissionais o ajudaram a compreender muito bem o universo infantil, como também seus dramas e complicações. Dessa forma, Buten optou por utilizar o drama e escrever esse romance em primeira pessoa, da perspectiva da personagem principal: Burt Rembrandt, um menino de apenas 8 anos que apresenta traços de autismo (embora não vejamos no livro alguma citação direta à sua condição de autista, mas os sintomas falam por si). Vale citar o fato de que Buten conheceu um garoto autista quando ainda era jovem, o que o levou a seguir carreira como psicólogo e até a criar uma clínica de apoio a jovens autistas. Logo, com tudo isso, temos o palco montado para uma forte e efêmera narrativa que descreve com maestria a ótica de mundo de uma criança e sua perspectiva diferenciada. E o resultado disso é simplesmente fascinante!


Burt é um rapaz que descreve precisamente sua visão das coisas. Ele possui uma imaginação muito fértil e um senso de humor sarcástico mas também inocente ao mesmo tempo. As constantes observações infantis do garoto sobre coisas que as pessoas mais velhas já estão acostumadas geralmente rendem boas risadas, também:

"Tinha uma foto na mesa do doutor Nevele, de crianças, e tinha uma foto de Jesus Cristo que eu acho que é falsa, porque eles não tinham, câmera na época. Ele estava na cruz, e alguém havia pendurado uma placa em cima dele escrito INFO. Isso quer dizer que você pode pedir informações para ele."

O menino também é bastante inteligente, sendo campeão de disputas de soletração, por exemplo. Ele também devaneia com frequência, e quando o leitor menos espera, a imaginação do rapaz já tomou conta de uma cena que a princípio parecia muito realista:

"Tinha cortina nas janelas da Jessica. Eu fiquei meia hora olhando para as janelas. Eu sabia as horas porque estava com o meu relógio que ganhei de Hanucá e depois perdi. Enquanto eu estava olhando para a cortina da Jessica, abriu um buraco na calçada embaixo dos meus pés [...]. Era um buraco de trinta metros e tinha dinossauros e fogo lá embaixo. Eu pulei por cima e caí na grama do outro lado. Então olhei para o outro lado da rua e vi que a Jessica tinha me visto e falou: 'Puxa, que rapaz corajoso!'"

O sentimento que Burt nutre por Jessica é, de certa forma, o fio condutor da história. O garoto fez algo ruim e traumático para a menina (fato esse que é citado de maneira vaga até o fim do livro, para prender a atenção do leitor) e por isso foi mandado para um Centro de Internamento Infantil. A narrativa, portanto, acaba se dando de maneira não linear, sendo que Burt ora narra os eventos anteriores ao seu internamento (mais precisamente pouco antes de conhecer Jessica), ora narra os eventos posteriores a este incidente, intercalando os dois diferentes momentos. Vemos como era sua vida e sua paixão pela menina antes de cometer seu "crime", e também vemos seus sentimentos de solidão e revolta muito mais potentes uma vez que ele está internado.


O livro tange as emoções infantis de um garoto que caminha às portas da puberdade, não sabe expressar com destreza seus sentimentos e é, de fato, um pouco mimado e irritadiço. Há momentos em que o leitor fica indignado com suas birras e chiliques, e outros em que a ingenuidade e ternura do menino nos fazem lembrar que apesar de tudo, ele é apenas uma criança com dificuldades de se relacionar com os outros. É impossível ler o livro e não criar uma forte relação de empatia com Burt, enquanto ele narra seus dias e nos traz de volta às lembranças de quando nós mesmos éramos apenas crianças. 



Essa obra-prima de Howard Buten consegue ser emocionalmente intensa sem beirar o melodrama, e desperta dentro de cada leitor um sentimentalismo voraz, mas saudável. Os conflitos que surgem entre a visão infantil e a visão adulta de mundo acabam nos trazendo uma ótica nova das coisas, e com sorte, cada leitor que fizer essa leitura de coração aberto encontrará um pouco mais de entendimento e amor pelo próximo. Burt representa nossos medos e aspirações. Os vícios e as virtudes humanas foram muito bem representados na forma deste pequeno rapaz de oito anos, e eu convido você, que lê essa resenha, a dar uma chance à história dele e voltar um pouco à mais profunda pureza e intensidade que as crianças têm!



Resenha: Panelaterapia - receitas para fazer da cozinha o seu divã (★★★★★)

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Bom dia, pessoal!

Nesse dia de feriado nacional, preparei uma resenha que é diferente de tudo o que vocês já viram por aqui... É a primeira resenha de livro de receita aqui do blog!

Título:  Panelaterapia - receitas para fazer da cozinha o seu divã
Autor: Tatiana Romano
Editora: Belas Letras
Páginas: 133
Classificação: (★★★)


O  livro foi recebido em parceria com a editora Belas-Letras e logo de cara me chamou atenção por causa da sua proposta diferenciada: a cozinha vira uma espécie de divã de psicólogo. Como assim, Natasha? Sim, isso mesmo! As receitas são divididas em 4 categorias: raiva, tristeza, medo e alegria. São receitas pra você fazer quando estiver com um desses sentimentos mais aflorados.



Já no início do livro a autora nos conta um pouco melhor da sua trajetória e de como esse livro surgiu. A Tatiana é forma em psicologia e sempre teve uma vida SUPER corrida. Quando conseguiu ter um dia livre, o domingo, ela aproveitava pra fazer algumas tarefas de casa pela manhã e, durante à tarde, se dedicava à culinária.

Conforme a vida foi seguindo e tomando o seu rumo, o blog surgiu e começou a tomar cada vez um espaço maior na vida dela. Foi no meio de tudo isso, refletindo sobre as emoções que a cozinha consegue lhe causar, que surgiu a proposta desse livro. A autora também deixa claro que a classificação escolhida foi feita muito mais pelo feeling de cozinheira do que por técnicas e conceitos colunários.

Agora que já está tudo devidamente explicado, vamos conhecer um pouco mais sobre as receitas que o livro nos apresenta!



Como eu não sou a maior expert na culinária - muito menos com técnicas e coisas clássicas -, vou comentar de forma bem direta sobre cada parte.

No inicio de cada parte do livro, encontramos um texto sobre aquele determinado sentimento, explicando melhor cada um deles, dando exemplos e explicando melhor qual é a proposta com aquelas receitas.

Raiva:

o objetivo nessa parte foi juntar algumas receitas que possuem um movimento repetitivo que, de acordo com a autora, é perfeito para proporcionar momentos de reflexão quando se está com essa emoção. Achei que tudo casou muito bem, principalmente porque sovar um pão ou mexer loucamente uma polenta também da uma aliviada na alma hehe

A maioria das receitas dessa parte são salgados, como por exemplo diversos tipos de risoto, pão de calabresa, polenta cremosa com molho de frango, entre outros.



Tristeza:

Um dos critérios utilizados nessa seleção é levantar o astral. Na maioria das vezes, quando esse sentimento bate, perdemos até a vontade de comer e de principalmente preparar algo. Então são receitas que também possuem uma preparação divertida e contém ingredientes que melhoram a instabilidade emocional.

Como já deveríamos prever, a maior parte dessa seleção é doce. Encontramos mousse, bolo, tortas, cookies e até algumas bebidas (refrigerante caseiro de gengibre e dois sucos), entre outros.

Medo:

Esse capítulo nasce mais como um desafio. Na introdução a autora nos fala um pouco sobre alguns medos até na culinária, como por exemplo o medo de que uma panela de pressão exploda ou de um pudim desmoronar quando for desformado - e ela acertou em cheio, medos bem comuns, não é mesmo?! Então encontramos receitas mais desafiadoras que estão aí para que nós nos superemos.

As receitas apresentadas são mais diferenciadas, como por exemplo um pudim de milho verde, costelinha de porco com laranja e mel, pudim light de laranjo e até um ovo "frito"sem óleo.

Alegria:

Essa seleção nos trazem receitas separadas para os pequenos momentos, como a autora dá de exemplo, um almoço de domingo, um drink no fim do dia ou um jantar romântico. Pequenas coisas que fazem a vida valer à pena!

Algumas receitas apresentadas: massa de pizza fácil, batatas picantes, bolinho de canela e pudim de leite condensado.


Todas as receitas foram ilustradas com foto. Recomendo esse livro pra quem tem interesse em culinária, ele traz uma proposta bem diferente e com receitas ótimas e gostosas. Além de ter algumas super fáceis e outras mais complexas. Acredito que ele abrange um grande número de cozinheiras, desde as mais iniciantes até as que já estão há algum tempo no ramo! 



A edição está super maravilhosa, como sempre, a editora caprichou muito no resultado final. É capa dura e no final temos um espaço de anotação para cada uma das 4 partes do livro :)


Quem aí já conhecia o blog panelaterapia ou já ouviu falar do livro? Vocês costumam cozinhar??

Espero que tenham gostado
XOXO


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